GUINEENSE, O QUE FAZES?
Filomeno Pina * 09.06.2011
Real
e pobremente, temos vindo a esculpir a nossa própria estátua, de mágoas,
estátua do morto-vivo, do símbolo do engano, da ausência de cultura de
valores, da cultura negativa e, com muita falta de criatividade e espírito
inovador. Não nos apercebemos de que outros arquitectos em vida são
merecedores de carinho, protecção, divulgação e defesa institucional porque
estão “vivos”. Muita coisa ainda nos faz mais pobres do que o facto
inevitável, a Morte. Há um fundo cobarde, invejoso, maldoso, de uma
complexidade doentia, generalizada no perfil de uma "elite" guineense, o que
é preocupante e grave, do ponto de vista psico-social e do facto de
continuarmos a "não-ver" o que se passa fora de nós (sociedade, país e
personalidades), permanecermos numa identificação projectiva negativa,
egocêntrica e atrofiada, projectada sobre os outros. Nunca somos nós os
culpados dos nossos próprios actos, dos nossos próprios erros cometidos,
porque são sempre os outros. Alimentando o nosso ético-social alienado,
vamos adiando o progresso e evolução social de um povo que orgulha-se da sua
tolerância, da sua história, do seu civismo e maturidade social, que vezes
sem conta, alguma parte dessa "elite" manchou ou adiou a sua esperança, sem
a consciência de violação cometida. Sem apurar responsabilidades, o mal é
sempre os outros, a sua causa também, tudo vem de fora para dentro, o
contrário é nada, e mais, uma cegueira que dura tempo demais, uma doença que
certamente tem cura, por um preço que custa três palavras reais: a liberdade
de opinião; o respeito pela pessoa humana; e justiça social... É tempo de substituirmos o ódio pelo amor, o azar pela sorte, a perseguição pelo acolhimento, a mentira pela verdade, o roubo pela honestidade, o medo pela liberdade, o crime pelo direito, a injustiça pela igualdade de direitos e de deveres, o oportunismo pela igualdade de circunstâncias e de condições, a doença pela saúde, a ignorância pela educação, a mancha pela verdadeira arte, a desconfiança pela certeza, a fome pela fartura, o abandono pela protecção e cuidados, a corrupção pela transparência, é tempo de parar e pensar definitivamente num projecto de desenvolvimento sustentado para o país. Quando morrermos, aqui não estamos nunca mais. Vamos tratar de vida que é curta, ninguém vive duzentos anos. Acreditamos que crescemos mais depressa quando aprendemos com os erros, quando reconhecemos os erros, quando a arrogância, ganância, mania de perfeccionismo estão “controlados” e, admitirmos com naturalidade suficiente o erro cometido, sem medos, porque se errar é humano, perdoar é muito mais. Sê superior espiritualmente e perdoa, só. A nossa Guiné-Bissau é Mãe bonita, dentro e fora dela, é o berço dos nossos antepassados, dos nossos filhos, dos netos, dos nossos amigos e vizinhos, sempre terra nossa, amada, que cuida dos filhos, longe, perto ou ausentes. Pergunto, e nós os filhos, o que fazemos com Ela? …/ Guiné-Bissau, Guiné y-dy-nós, povo y-anós tudu, bambaram kana rebemta, kada’kym tem sy lugar. Acredita! Filomeno Pina. * Psicólogo clínico ESPAÇO PARA COMENTÁRIOS AOS DIVERSOS ARTIGOS DO NÔ DJUNTA MON
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